A sua opinião vale 99 centavos?
Eis aqui uma idéia interessante. O Sun chronicle, um jornal de Massachusetts, passara a cobrar 99 centavos dos leitores que desejarem comentar uma de suas matérias. O pagamento acontece apenas no primeiro comentário e é acompanhado de um cadastro que registra, junto com o numero do cartão de credito, o nome e o endereço do leitor.
O que o Sun chronicle quer fazer é estar “frente a frente” com seus leitores e, ainda, tem a coragem de dizer: “put your money where your mouth is”.
Roy Greenslade, jornalista do The Guardian, aponta que esta estratégia infringe a liberdade de expressão dos anônimos.
Contudo, qualquer leitor de blogs e jornais na internet sabe que os comentários anônimos, em sua maioria, costumam ser agressivos e de pouca qualidade argumentativa.
Sempre defendi que é o criador do conteúdo quem tem o direito e liberdade de permitir ou negar as formas de interação que seus leitores tem com o material criado. Acredito que o escritor tem o direito de bloquear os comentários em seu site caso sinta que essa seja a forma mais correta de distribuir o conteúdo de sua criação.
John Gruber, do blog Daring Fireball, não possui nenhum tipo de sistema de comentários em seu blog. Contudo, encoraja que seus leitores escrevam posts, não anônimos, em seus próprios blogs comentando as postagens de seu blog. A idéia de Gruber é apoiar uma conversa corpo a corpo de argumentos bem pensados. Uma postura que respeito e que, constantemente, estou tentado a aplicar.
O Sun chronicle é corajoso. Em um panorama onde os leitores demonstram não terem intenção de pagar para ler artigos online, o jornal aposta em monetizar a vontade de opinar.
Resta acompanhar o desenvolvimento da idéia e ver sé opinar ainda tem algum valor.
— Alberto Lung
You Can’t Always Get What You Want
Falando com milanelli — em um dia desses em que minhas opções de entretenimento são 1) ver Ugly Betty ou quem sabe 2) Entrar no Orkut e ficar criticando as fotos dos meus contatos ou pior ainda 3) dormir às 23:00Hs numa sexta-feira — Chegamos à conclusão de que nem eu nem ela temos aptidão para fracassar.
Assim, quem lê rapidamente pode achar que esta incapacidade é ótima. Até escuto o ingênuo dizer: “Cê não vai fracassar nunca!”. Contudo, a verdade é que a nossa incapacidade de mexer a bunda não nos permite sequer buscar o fracasso.
Sabe, sem me comparar, mas Faulkner ganhou dois prêmios Pulitzer por duas novelas que são consideradas as mais “fraquinhas” dele — sem contar que as escreveu enquanto bebia que nem um desgraçado. Meu melhor trabalho não ganha um aplauso da minha própria mãe.1
E aí eu tento encontrar uma justificativa; vai que ele era assim de criativo por que bebia. Se for, nem para isso sou competente, tomo meio copo de vinho e já estou falando bobagem — e nenhuma delas merece o Pulitzer.2
A coisa é que fracassar é você mais a experiência do fracasso. No nosso caso, onde nem o fracasso existe, a coisa fica no nada mesmo, sem ganhar nem perder.
Como consolo fica o seguinte: Faulkner virou um selo postal de 22 centavos. milanelli e eu, pelo menos, não estamos sendo chupando3 o tempo todo.
— Alberto Lung
(As notas de rodapé são uma cortesia de milanelli)
Rehab is for quitters, and I want to quit.
Quando eu tinha onze anos eu era fanático — cortava fotos e fazia montagem (photoshop dos antigos) e colava na parede do quarto — do Aaron Carter. Quando o sujeito tem onze anos isso é aceitável, a sociedade — aka meus colegas de catecismo — não ficavam me julgado quando eu insistia em mostrar como sabia dançar igual a ele — algo que hoje, vendo os vídeos que a minha tia gravou, sei que é mentira.1
E assim, na boa, me divirto muito sabendo que algum dia gostei de uma musica com esta letra: Hey Girl, I’m sad / I heard that you were leaving / You can’t go, you’re my best friend / I’m sure gonna miss you2
Passado musical que condena todo mundo têm. Se você nasceu nos anos ‘80, e não morou o resto da vida em uma caverna, os Back Street Boys, N’Sync e as Spice Girls fizeram parte da sua adolescência.
O problema, e este post é o primeiro passo do meu Rehab, é que estas ferias baixei o CD do Justin Bieber e o escutei mais vezes do que alguém deveria escutar. Até estou gostando do cover que ele faz do Say that you love me do Cardigans, e, ainda mais pathétique, sei de cor a letra da musica Baybe3
Passado que condena todo mundo têm. Agora, presente fuleiro, isso deixa comigo.
— Alberto Lung
Apresentação do Kommbo.

No dia 9 de julho participei de um ótimo evento organizado pelo meu colega Tiago Jaime Machado, o Kommbo. Evento onde falei um pouco sobre minha pesquisa com jovens Argentinos, e, conseqüentemente, de pontos que acho importante desconstruir na noção de “digital”. Os convido a me acompanhar em uma visita pelos meus Slides (aviso aos desavisados, o post é longo.)

Sinto que todas as apresentações feitas nos últimos dois anos usam, em demasia, termos como: web 2.0, Web Social ou, pior ainda, frases de efeito que demonstram como, agora, é o usuário que tem o poder. Acho tudo isso uma bobagem. E por isso, quero chamar a atenção para dois pontos que muitas vezes são esquecidos pelos experts dessa “new internet experience”.

A primeira de todas as descostruçoes à ser feitas é: Não existe, apenas, o digital. Não se pode pensar o plano digital como sendo uma esfera separada da Real Life. A linha que divide estas duas esferas é cada vez mais tenue e, para quem trabalha tentando propagar idéias ou produtos entre pessoas, pensar como conseguir ter impacto nos dois planos ao mesmo tempo é fundamental.
Esta lei tornou-se ainda mais importante quando passei a notar que, cada vez mais, o conteúdo criado em meios digitais quer extravasar para o “plano físico”. Quero apresentar dois casos que observei durante meu tempo de pesquisa na Argentina que mostram e exemplificam esta propriedade instável do conteúdo digital.

Sempre que conversava com os adolescentes argentinos, o Facebook e , conseqüentemente, o Pet Society, apareciam como pontos importante na conversação. Como antropólogo (ou, melhor dito, fofoqueiro com diploma) me interessei muito pelo jogo, por que, além de ser aditivo, parecia importante para os garotos e garotas com os quais conversei.
O jogo consiste em montar uma casa para seu Pet - um bichinho criado pelo próprio jogador. Para poder montar a casa são necessários objetos que podem ser comprados no jogo com o dinheiro que se ganha em mini joginhos que envolvem a participação de seus amigos do Facebook. O jogo permite a troca de objetos entre amigos e tem uma grande comunidade hispânica que, através de forums e blogs, viabiliza a comercialização e troca dos objetos.
Ele me contaram (o video do youtube pronto tera legendas, aguardem.) que esta troca não é apenas de objetos virtuais por objetos virtuais. Eles, também trocam objetos virtuais por dinheiro real e, ainda mais interessante, por favores. Foi no ultimo exemplo que me foquei, pois, eles me contaram que uma vez um menino trocou um objeto com uma garota amiga dele com a condição de ela o acompanhasse à casa de uma menina que ele estava paquerando - este tipo de troca, eles me contaram, é freqüente.
Percebi que a ferramenta, inicialmente, criada para a interação no meio digital “sentiu a necessidade” de sair do meio virtual para agir na vida real. E Play Fish, a empresa por trás do joginho aproveitou-se da forma em que o jogo foi apropriado pelos usuários e não bloqueou os métodos de troca alternativos.

Outro grupo com o qual tive contato durante minha viagem à terra de los hermanos foram os Floggers. Este grupo de adolescentes tem uma historia muito particular que mostra os limites de pensar separadamente o mundo real do digital.
O grupo começou de forma pouco homogênea. Eram um monte de meninos e meninas que tinha flogs (Fotologs), entre eles eram amigos e cada um deixava comentários nos flogs dos outros. Como qualquer grupo que passa a interagir, com o tempo, criaram suas próprias formas de falar, - criando palavras como arreee - de se vestir e de se relacionar. Toda a interação limitava-se ao ambiente virtual. Contudo, uma das meninas floggers, Cumbio, percebeu que “o grupo estava muito prendido na tela” e que precisavam “fortalecer os laços”.

Ela organizou o que seria o primeiro de muitos encontros entre o garotas e garotos Floggers de Buenos Aires na frente do Shopping Abasto.
Além de Cumbio ser um exemplo claro do tipo de líder que Seth Godin aponta, em seu livro Tribes, como fundamental para iniciar um movimento social, ela foi perspicaz ao perceber a vontade dos floggers de sair do meio digital.

Junto com ela, a Nike - que vale lembrar investe pesado em sua equipe de pesquisas antropológicas - iniciou uma campanha publicitária que consistia em que o grupo desenhasse um “Tenis floggers”. Para desenhar o tênis, os floggers, entravam em um site onde projetavam seus tênis ideais e podiam postar seus protótipos em seus floggs; o modelo ganhador, foi fabricado pela Nike e um tênis-tobogã gigante apareceu na frente do shopping onde os garotos e garotas se reúnem - gerando milhares de fotos nos flogs com o tênis gigante.
A campanha ainda envolveu uma serie de atividades online e offline patrocinadas pela Nike onde os floggers conseguiram misturar as duas esferas de interação - da forma em que o vinham fazendo - tornando a campanha algo que facilitasse e não que interrompesse a comunicação. Isto é importante por que, hoje, uma campanha pensada apenas para impactar no meio digital interrompe as conversas que, naturalmente, perpassam tanto a virtualidade como a realidade.

O segundo ponto (aposto que muitos já esqueceram que eram dois pontos) a desconstruir e a idéia de que os meios digitais são de fato “meios de comunicação”. Prometo ser breve pois este tema é longo e se estiverem interessados posso fazer mais um post ao respeito.
Quando se diz que os computadores, a internet ou os celulares são meios de comunicação minha primeira reação e soltar minha histérica risada. Um meio de comunicação é aquilo que está entre duas pessoas e lhes permite manter uma conversação. A internet, o celular e os meios digitais não são meros conectores! Ao contrario os meios digitais são Mediadores de conversações.
(Charge de: dirceuveiga.com.br)
Caros leitores, quantas vezes o seus celulares os fizeram voltar para casa pois os tinham esquecido? Sim, foram os celulares que tiveram ação sobre vocês. Quantas vezes replanejaram suas reuniões em função de tomadas por que seus laptops pediam bateria? Amigos, a partir do momento em que estes aparelhos passam a ter agencia sobre suas decisões eles deixam de ser meros meios de comunicação e passam a ser mediadores de comunicação.

Você pode pensar “Ok, senhor Alberto. Mas que Me*#a muda com essa por#a de meio e mediador?” E eu, além de ficar incomodado com seus xingamentos lhe direi: “Tudo! Absolutamente Tudo!”.
Uma das principais mudanças recai sobre a máxima babaca de que a internet é o lugar onde vale tudo e tudo é possível. Quando você, querido leitor, para de pensar a internet sobre essa ilusão, as suas tentativas de construir, participar e impactar grupos sociais passarão a ser muito mais efetivas. Quando você passa a pensar que a internet (e outros meios digitais) é tão limitadora quanto possibilitadora fica muito mais fácil construir formas de comunicação efetivas.
Assim, tomando todas as idéias ao mesmo tempo e tentando resumir algo difícil de sintetizar, cabe relembrar que: Os meios digitais estão gritando suas necessidades de extravasar para o “mundo real”; isto deve-se ao fato dos meios digitais serem mediadores construídos, cotidianamente, pela interação de indivíduos sociais que têm seu intercâmbio de informações possibilitado e impossibilitado por estas formas mediadas de comunicação.
(complicado, eu sei, mas leia três vezes que, que nem haiku, começa a fazer sentido.)
Obrigado.
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