Rehab is for quitters, and I want to quit.

Music Quando eu tinha onze anos eu era fanático — cortava fotos e fazia montagem (photoshop dos antigos) e colava na parede do quarto — do Aaron Carter. Quando o sujeito tem onze anos isso é aceitável, a sociedade — aka meus colegas de catecismo — não ficavam me julgado quando eu insistia em mostrar como sabia dançar igual a ele — algo que hoje, vendo os vídeos que a minha tia gravou, sei que é mentira.1

E assim, na boa, me divirto muito sabendo que algum dia gostei de uma musica com esta letra: Hey Girl, I’m sad / I heard that you were leaving / You can’t go, you’re my best friend / I’m sure gonna miss you2

Passado musical que condena todo mundo têm. Se você nasceu nos anos ‘80, e não morou o resto da vida em uma caverna, os Back Street Boys, N’Sync e as Spice Girls fizeram parte da sua adolescência.

O problema, e este post é o primeiro passo do meu Rehab, é que estas ferias baixei o CD do Justin Bieber e o escutei mais vezes do que alguém deveria escutar. Até estou gostando do cover que ele faz do Say that you love me do Cardigans, e, ainda mais pathétique, sei de cor a letra da musica Baybe3

Passado que condena todo mundo têm. Agora, presente fuleiro, isso deixa comigo.

— Alberto Lung


  1. Material que, estou certo, vai aparecer na TV se algum dia virar político. 

  2. Para ver mais desta maravilha poética aqui

  3. Percebe a criatividade nos títulos? 

Apresentação do Kommbo.

Desconstruindo o Digital By Alberto Lung

No dia 9 de julho participei de um ótimo evento organizado pelo meu colega Tiago Jaime Machado, o Kommbo. Evento onde falei um pouco sobre minha pesquisa com jovens Argentinos, e, conseqüentemente, de pontos que acho importante desconstruir na noção de “digital”. Os convido a me acompanhar em uma visita pelos meus Slides (aviso aos desavisados, o post é longo.)

The New Internet Experience

Sinto que todas as apresentações feitas nos últimos dois anos usam, em demasia, termos como: web 2.0, Web Social ou, pior ainda, frases de efeito que demonstram como, agora, é o usuário que tem o poder. Acho tudo isso uma bobagem. E por isso, quero chamar a atenção para dois pontos que muitas vezes são esquecidos pelos experts dessa “new internet experience”.

IRL

A primeira de todas as descostruçoes à ser feitas é: Não existe, apenas, o digital. Não se pode pensar o plano digital como sendo uma esfera separada da Real Life. A linha que divide estas duas esferas é cada vez mais tenue e, para quem trabalha tentando propagar idéias ou produtos entre pessoas, pensar como conseguir ter impacto nos dois planos ao mesmo tempo é fundamental.

Esta lei tornou-se ainda mais importante quando passei a notar que, cada vez mais, o conteúdo criado em meios digitais quer extravasar para o “plano físico”. Quero apresentar dois casos que observei durante meu tempo de pesquisa na Argentina que mostram e exemplificam esta propriedade instável do conteúdo digital.

Pet Society

Sempre que conversava com os adolescentes argentinos, o Facebook e , conseqüentemente, o Pet Society,  apareciam como pontos importante na conversação. Como antropólogo (ou, melhor dito, fofoqueiro com diploma) me interessei muito pelo jogo, por que, além de ser aditivo, parecia importante para os garotos e garotas com os quais conversei.

O jogo consiste em montar uma casa para seu Pet - um bichinho criado pelo próprio jogador. Para poder montar a casa são necessários objetos que podem ser comprados no jogo com o dinheiro que se ganha em mini joginhos que envolvem a participação de seus amigos do Facebook. O jogo permite a troca de objetos entre amigos e tem uma grande comunidade hispânica que, através de forums e blogs, viabiliza a comercialização e troca dos objetos.

Ele me contaram (o video do youtube pronto tera legendas, aguardem.) que esta troca não é apenas de objetos virtuais por objetos virtuais. Eles, também trocam objetos virtuais por dinheiro real e, ainda mais interessante, por favores. Foi no ultimo exemplo que me foquei, pois, eles me contaram que uma vez um menino trocou um objeto com uma garota amiga dele com a condição de ela o acompanhasse à casa de uma menina que ele estava paquerando - este tipo de troca, eles me contaram, é freqüente.

Percebi que a ferramenta, inicialmente, criada para a interação no meio digital “sentiu a necessidade” de sair do meio virtual para agir na vida real. E Play Fish, a empresa por trás do joginho aproveitou-se da forma em que o jogo foi apropriado pelos usuários e não bloqueou os métodos de troca alternativos.

Floggers

Outro grupo com o qual tive contato durante minha viagem à terra de los hermanos foram os Floggers. Este grupo de adolescentes tem uma historia muito particular que mostra os limites de pensar separadamente o mundo real do digital.

O grupo começou de forma pouco homogênea. Eram um monte de meninos e meninas que tinha flogs (Fotologs), entre eles eram amigos e cada um deixava comentários nos flogs dos outros. Como qualquer grupo que passa a interagir, com o tempo, criaram suas próprias formas de falar, - criando palavras como arreee - de se vestir e de se relacionar. Toda a interação limitava-se ao ambiente virtual. Contudo, uma das meninas floggers, Cumbio, percebeu que “o grupo estava muito prendido na tela” e que precisavam “fortalecer os laços”.

floggers no Abasto

Ela organizou o que seria o primeiro de muitos encontros entre o garotas e garotos Floggers de Buenos Aires na frente do Shopping Abasto.

Além de Cumbio ser um exemplo claro do tipo de líder que Seth Godin aponta, em seu livro Tribes, como fundamental para iniciar um movimento social, ela foi perspicaz ao perceber a vontade dos floggers de sair do meio digital.

floggers e a Nike

Junto com ela, a Nike - que vale lembrar investe pesado em sua equipe de pesquisas antropológicas - iniciou uma campanha publicitária que consistia em que o grupo desenhasse um “Tenis floggers”. Para desenhar o tênis, os floggers, entravam em um site onde projetavam seus tênis ideais e podiam postar seus protótipos em seus floggs; o modelo ganhador, foi fabricado pela Nike e um tênis-tobogã gigante apareceu na frente do shopping onde os garotos e garotas se reúnem - gerando milhares de fotos nos flogs com o tênis gigante.

A campanha ainda envolveu uma serie de atividades online e offline patrocinadas pela Nike onde os floggers conseguiram misturar as duas esferas de interação - da forma em que o vinham fazendo - tornando a campanha algo que facilitasse e não que interrompesse a comunicação. Isto é importante por que, hoje, uma campanha pensada apenas para impactar no meio digital interrompe as conversas que, naturalmente, perpassam tanto a virtualidade como a realidade.

internet e comunicação

O segundo ponto (aposto que muitos já esqueceram que eram dois pontos) a desconstruir e a idéia de que os meios digitais são de fato “meios de comunicação”. Prometo ser breve pois este tema é longo e se estiverem interessados posso fazer mais um post ao respeito.

Quando se diz que os computadores, a internet ou os celulares são meios de comunicação minha primeira reação e soltar minha histérica risada. Um meio de comunicação é aquilo que está entre duas pessoas e lhes permite manter uma conversação. A internet, o celular e os meios digitais não são meros conectores! Ao contrario os meios digitais são Mediadores de conversações.celular charge meios de comunicação

(Charge de: dirceuveiga.com.br)

Caros leitores, quantas vezes o seus celulares os fizeram voltar para casa pois os tinham esquecido? Sim, foram os celulares que tiveram ação sobre vocês. Quantas vezes replanejaram suas reuniões em função de tomadas por que seus laptops pediam bateria? Amigos, a partir do momento em que estes aparelhos passam a ter agencia sobre suas decisões eles deixam de ser meros meios de comunicação e passam a ser mediadores de comunicação.

internet possibilita

Você pode pensar “Ok, senhor Alberto. Mas que Me*#a muda com essa por#a de meio e mediador?” E eu, além de ficar incomodado com seus xingamentos lhe direi: “Tudo! Absolutamente Tudo!”.

Uma das principais mudanças recai sobre a máxima babaca de que a internet é o lugar onde vale tudo e tudo é possível. Quando você, querido leitor, para de pensar a internet sobre essa ilusão, as suas tentativas de construir, participar e impactar grupos sociais passarão a ser muito mais efetivas. Quando você passa a pensar que a internet (e outros meios digitais) é tão limitadora quanto possibilitadora fica muito mais fácil construir formas de comunicação efetivas.

Assim, tomando todas as idéias ao mesmo tempo e tentando resumir algo difícil de sintetizar, cabe relembrar que: Os meios digitais estão gritando suas necessidades de extravasar para o “mundo real”; isto deve-se ao fato dos meios digitais serem mediadores construídos, cotidianamente, pela interação de indivíduos sociais que têm seu intercâmbio de informações possibilitado e impossibilitado por estas formas mediadas de comunicação.

(complicado, eu sei, mas leia três vezes que, que nem haiku, começa a fazer sentido.)

Obrigado.


Textos relacionados:

Journey to the sea.

Apocalipse vende bem, vende muito bem.

(Foto by DRB62)

Acho que – como sempre – estou chegando tarde á festa e vou tentar comentar sobre os salgadinhos fritos frios. Em está passagem a festa é a economia e os salgadinhos são o corpo frígido e duro de alguns jornais que, alguma vez, estiveram no topo do ciclo de noticias.

Estou cansado de caminhar pelos vastos campos (abarrotados de DDT) que formam a internet e encontrar blogs de “especialistas” e sites de opinião anunciando o fim da mídia impressa. Todos prometem um futuro com centros de noticias atualizadas 24 h entupidos de jornalistas postando no twitter enquanto escrevem blogs e ligam suas webcams para fazer um Live Stream. Um futuro com o qual eu – menino com ADD – estaria feliz!

Contudo, isso não me permite escrever obituários apressados sobre uma mídia (a impressa) que, apesar de diminuir anualmente em tiragem, tem seus consumidores fixos. Quantos de vocês não compram uma revista ou jornal mesmo sabendo que o conteúdo pode ser lido, na maioria das vezes, na integra na internet? Eu faço isso todos os meses com a revista Bravo!  E não pararei de fazê-lo, pois o cheiro de papel é fundamental nas minhas leituras.

O correto, my friends, não é anunciar o fim dos jornais, mas, sim, falar – como bem disse Russel -  em declínio. O mesmo declínio que afeta a indústria fonográfica e que faz com que os canais de TV procurem novas maneiras de lucrar com seus seriados. Declínio que, sem duvidas, mudara por completo a forma em que os newspapers se sustentaram financeiramente.

Não gosto de fazer futurologia, mas acredito que estou certo ao prever que as vendas de jornais irão cair nos próximos anos, da mesma maneira em que a venda de discos de vinil caiu (entenda-se: Muito). Mas a mídia impressa como meio de comunicação vai sobreviver. Jornais dominicais de igrejas, informativos de bairros e inclusive alguns poucos jornais de maior distribuição continuaram a existir e a utilizar o papel como meio de distribuição.

Assim, este post não visa trazer nenhuma tese mirabolante sobre como “salvar” os jornais, até por que acho que muitos deles têm mais do que sumir, mas sim, tentar elevar a nossa discussão do plano superficial “nostradamico” para um debate sério sobre como a diminuição na indústria jornalística ira afetar o jornalismo em sim – como bem o faz Marta Barcelos em este artigo aqui.

Vemos-nos no próximo post (que, como este, tampouco terá inicio, meio e fim.)

Twitter e o complexo de Márcia.

Twitada boba

É… as vezes eu falo muita bobagem. Pulei, muito rápido, acima de um ônibus que, assim como merda em ventilador, não sabia para onde estava andando nem quem estava atingindo. *

Acredito que todos os que estejam lendo este post saibam da “polemica” que alguns twitters trouxeram para a nossa “fechada-e-quase-alienada” comunidade twitesca nos ultimos dias. Caso contrario leiam este - péssimo - post sobre o assunto.

Respiremos todos: 1…2…3… e, agora, calmos, vamos lá.

Às vezes, ao navegar na internet, me sinto rodeado por “Márcias” querendo fazer de tudo uma grande discussão sobre a moralidade de mijar - ou não - nos outros. Sinto que ao invés de tentar gerar conteúdos interessantes e paralelos à mídia “clássica” estamos nos tornando repetidores sem criatividade preocupados em fazer escândalos.

O Script em questão é - como @Rosana disse - genial. Por não entender nada sobre programação e nem me interessa pelo assunto, limito minha opinião sobre o Script ao impacto social que ele trouxe para a nossa comunidade.

Para poder continuar - como diria o telecurso - Vamos rever como o twitter funciona:

Sujeito 1 cria uma conta e começa a escrever - dentro do limite de 140 letras e espaços -, Sujeito 2 encontra o perfil do usuário 1 e decide se quer ou não “dar follow” nele.


No caso, o script em questão, torna o processo de notoriedade do sujeito 1, um processo automatizado. Mas, - eis aqui que repousa o ponto importante - não há, nem no script, nem no processo normal de “dar follow” alguém apontando um calibre 22 às synapses dos usuários que decidiram seguir o sujeito 1. **

Assim como em qualquer relação social, no twitter, também há pros e contras na forma em que os contatos e amizades são feitos. Acredito que: cada usuário/pessoa tem o direito de escolher a maneira que considera correta ou conveniente de fazer contatos ou amizades. Está afirmação corre a favor dos utilizadores e nao utilizadores do Script.

Tendo dito isso, vamos ao depoimento pessoal: Eu já era follower da @rosana antes de ela disser ter usado o script, continuo sendo seu follower, pois, gosto e aprecio os updates dela e os @replys que recebo quando alguns de meus twits lhe interessam. Adicionei a @twittess depois de ter sido adicionado pelo script e confesso que dei follow por que me interessou o seu about na época, que falava sobre ela ser “editora de livros infanto-juvenis”, gênero em que espero, algum dia, poder publicar livros. Já o @interney não me agradou, nem chamou minha atenção, por isso - depois de ele me adicionar através do script - decidi não dar follow nele e, assim, nunca mais ouvi falar em seu nome.

Três pessoas, Três motivos distintos: a primeira adicionada por entretenimento, a segunda por interesse profissional e a terceira descartada por não me interessar. Três motivos que teriam, sem lugar à duvidas, sido os mesmo, caso eles tivessem me adicionado manualmente. Get it?

Resumindo, queridos leitores, vamos parar com todo esse mu-mu-mu que alem de poluir tira valor da nossa comunidade e discussões e vamos nos dedicar a produzir conteúdo que nos façam - como diria Merlin Mann - melhores.

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Nots de rodapé:
* Obrigado Ricardo Macari por me fazer pensar. ()
** Troquem sujeito 1 por: @rosana, @twittess @interney e sujeito 2 por todos os demais twitterers.