Travessia de verão

Tenho que agradecer meu primeiro encontro com Truman Capote à Hollywood. Nunca tinha lido nada dele (ou sobre ele) até assistir “Capote” e, tenho que reconhecer, não devo meu interes no autor à historia do filme, mas sim à interpretação de Philip Seymour Hoffman.

Procurei por ele na Wikipédia, como faço com tudo o que acho interessante, e fui mergulhando nos links de referencias – que são um dos recursos menos usados pelos wikipedistas de plantão – atrás da historia de este autor amaneirado e que me pareceu, desde o primeiro passo da minha pesquisa, ter uma língua muito afiada: Ao final de contas, foi ele quem disse que Jack Kerouac não era um escritor e sim um digitador.

Agasalhado com a leitura de algumas biografias sobre Capote e acompanhado pela leitura de alguns críticos que só tinha coisas boas à disser sobre ele, decidi ler algum de seus trabalhos; mas, ao mesmo tempo em que tive a idéia, sentado na frente da luz fluorescente da tela do computador,  me aconteceu aquilo que acontece a muitos quando sentados frente ao monitor: Outra janela pareceu mais importante, outra conversa me chamou mais a atenção e outro recado estava esperando-me para ser lido.

Ficaram, na minha memória, apenas os dados biográficos de Truman. O interesse continuava ali, escondido em algum lugar do meu estomago, e foi há alguns dias atrás, com as palavras de um amigo, que regurgitei minha curiosidade. “Tenho um livro, para te emprestar, do estilo em que você gostar.” Me disse Tim com seu sotaque inglês. Normalmente, não aceito que me emprestem livros – me conheço muito bem e sei que livros que me são emprestados jamais serão devolvidos: tenho na prateleira “The Road” do Cormac Mccarthy emprestado pelo Tim a já quase dois anos e, posso assegurar, que ele só ira sair dali para me acompanhar em alguma mudança.

Mas deixando o lengalenga de lado, (que, por algum motivo, hoje insiste em entrar no papel) o livro que Tim quis me emprestar era: “Travessia de verão” – adivinhem de quem?! – do meu querido companheiro de leituras biográficas: Truman Capote.

O livro foi lançado depois da morte do autor, estava escrito em alguns cadernos dele em seu apartamento em New York e, apesar de não ser muito fã da idéia de publicar os livros que, por algum motivo, o autor não quis publicar enquanto estava vivo, decidi ler o relato. Contudo – que nem filme que trava antes do final – não irei fazer uma resenha o livro por que, ademais de achar resenhas literárias um saco de touro, gostaria que vocês também possam ler a historia e se surpreenderem, como aconteceu comigo.

Quero destacar apenas um trecho dela:

“Então terminou, não havia mais nada que ela quisesse dele, os desejos de verão haviam virado sementes de inverno: os ventos as sopravam para bem longe antes de que outro abril as fizesse florescer.”

Espero que este post que pretendia falar muita coisa – e falou quase nada – os incite a ler o livro, e se o fizerem, deixem um recadinho me contando o que acharam.

Meu ultimo video no Dayloggers Projeto do qual participei fazendo vide-blogs semanais durante um ano.

Fico feliz em poder ter cumprimo a meta, e nao ter, nunca, faltado com um video; isso me deixa contente pois é uma forma de me auto-convencer de que consigo terminar meus projeos pessoais, sem importar o dificil que isso as vezes possa ser.

“Saying ‘I notice you’re a nerd’ is like saying, ‘Hey, I notice that you’d rather be intelligent than be stupid, that you’d rather be thoughtful than be vapid, that you believe that there are things that matter more than the arrest record of Lindsay Lohan.”

Last good kiss.

(photo by: kah_devil)

Eu me considero uma pessoa empolgada. Daquelas que de primeira acha tudo legal – na verdade a palavra que uso para descrever tudo, e quem me conhece já me ouviu dizendo-a uma quantia infinita de vezes, é Genial! (com G maiúsculo e ponto de exclamação no final). Não considero isso um defeito, pois me permite apreciar todo tipo de produções; desde o mais rebuscado dos poemas até o mais fútil dos programas de televisão.

Contudo, depois de um tempo, a minha memória se encarrega de “limpar” todas aquelas sinapses que carregam informações que não valem mais a pena ser chamas de geniais. O que quero disser é que apenas aquilo que é realmente bom – dentro de decisões puramente arbitraria e pessoais – fica gravado no meu cérebro.

Tudo isso para falar de uma frase que tenho gravada na testa à muito tempo e que hoje decidiu voltar para me lembrar de verdades que não estou com muita vontade de enfrentar. Eis aqui a frase do poeta Richard Hugo em seu poema Degrees of Gray in Philipsburg:

Original:

“Say your life broke down, The last good kiss
you had was years ago.”

Tradução livre e, conseqüentemente, inapropriada:

“Diga que sua vida está em ruínas, O último beijo bom
que você teve foi há anos atrás.”

Pensar no meu ultimo beijo bom. Ai, ai.

Para que não sabe, estou escrevendo um livro. É um romance para Jovens/Adultos, e um dos temas que tento abordar e a dicotomia da “moralidade” com a “libertinagem”. Todos têm dentro de si um “eu responsável” e um “eu passional”, acredito que encontrar o centro entre os dois é fundamental para viver uma vida sem arrependimentos e sem magoas.

Mas, me conte. Quando foi seu ultimo beijo bom? E como vocês lidam com a briga da responsabilidade com a “passionalidade”?

Comment till your fingers bleed.

Boas leituras:

Prozac Shutter

(Photo by: Eric Fleming)

Ontem eu e minha irmã estávamos sentados no chão do living olhando as fotos de alguns álbuns velhos, e ela fez um comentário daqueles que me deixam com a bunda inquieta. Com uma foto dela chorando e que dava a impressão de que tinha os olhos tortos disse: “O bom das câmeras digitais e não ter que ficar vendo estas fotos horrorosas”.

Talvez por casualidade, quiçá por causalidade, encontrei no mesmo dia do comentário um folheto que explicava uma função extraordinária das câmeras digitais da Sony. O “Smile Shutter”, que, quando ativado na maquina, detecta que todos os fotografados apareçam sorrindo na foto. Não sei se o comentário que irei fazer é apenas um indicio da minha velhice chegando cedo, mas… Vamos lá.


A foto da minha irmã chorando é feia, não vou negá-lo. Contudo, nos fez rir ao lembramos dos escândalos que ela costumava fazer quando não conseguia o que queria que, diga-se de passagem, não eram os escândalos normais de qualquer criança; uma vez ela até arrancou parte dos cabelos tentando chamar a atenção. A questão é que, ao final de contas ela chorando na foto nos lembrou de momento dos quais, agora, conseguimos rir. O que teria sido dessa foto na era das câmeras digitais? E o que teria sido da foto se o “Smile Shutter” estivesse esperando detectar um sorriso para disparar a foto?

O que me interessa, e preocupa, são os resultados em longo prazo da combinação da geração prozac com a estética comercialmente predefinida e consecutivamente a felicidade fingida sendo plasmada nos ccd’s de câmaras digitais ao redor do mundo. A razão pela qual me preocupo é que acredito que a felicidade é uma meta definida culturalmente cujos parâmetros variam de pessoas a pessoa e, como bem disse o bloggeiro do Observatório da Consciência: “A frustração acontece quando vamos atrás de metas elaboradas por terceiros, e por não termos essa conexão clara com o nosso eu interior, não sabemos discernir se é bom ou ruim para nós.”

Por isso, recomendo a todos tentar fotografar momentos memoráveis, e parar de correr atrás de sorrisos fingidos. Encorajo-os a fotografar o primeiro machucado do seu filho, a primeira caída, o primeiro barraco que fizer em lugar publico. Pois, é também em estes momentos que encontramos lembranças boas, duras, engaçadas, e, quem sabe, felizes.

Leituras interessantes: