A sua opinião vale 99 centavos?
Eis aqui uma idéia interessante. O Sun chronicle, um jornal de Massachusetts, passara a cobrar 99 centavos dos leitores que desejarem comentar uma de suas matérias. O pagamento acontece apenas no primeiro comentário e é acompanhado de um cadastro que registra, junto com o numero do cartão de credito, o nome e o endereço do leitor.
O que o Sun chronicle quer fazer é estar “frente a frente” com seus leitores e, ainda, tem a coragem de dizer: “put your money where your mouth is”.
Roy Greenslade, jornalista do The Guardian, aponta que esta estratégia infringe a liberdade de expressão dos anônimos.
Contudo, qualquer leitor de blogs e jornais na internet sabe que os comentários anônimos, em sua maioria, costumam ser agressivos e de pouca qualidade argumentativa.
Sempre defendi que é o criador do conteúdo quem tem o direito e liberdade de permitir ou negar as formas de interação que seus leitores tem com o material criado. Acredito que o escritor tem o direito de bloquear os comentários em seu site caso sinta que essa seja a forma mais correta de distribuir o conteúdo de sua criação.
John Gruber, do blog Daring Fireball, não possui nenhum tipo de sistema de comentários em seu blog. Contudo, encoraja que seus leitores escrevam posts, não anônimos, em seus próprios blogs comentando as postagens de seu blog. A idéia de Gruber é apoiar uma conversa corpo a corpo de argumentos bem pensados. Uma postura que respeito e que, constantemente, estou tentado a aplicar.
O Sun chronicle é corajoso. Em um panorama onde os leitores demonstram não terem intenção de pagar para ler artigos online, o jornal aposta em monetizar a vontade de opinar.
Resta acompanhar o desenvolvimento da idéia e ver sé opinar ainda tem algum valor.
— Alberto Lung
Apocalipse vende bem, vende muito bem.

(Foto by DRB62)
Acho que – como sempre – estou chegando tarde á festa e vou tentar comentar sobre os salgadinhos fritos frios. Em está passagem a festa é a economia e os salgadinhos são o corpo frígido e duro de alguns jornais que, alguma vez, estiveram no topo do ciclo de noticias.
Estou cansado de caminhar pelos vastos campos (abarrotados de DDT) que formam a internet e encontrar blogs de “especialistas” e sites de opinião anunciando o fim da mídia impressa. Todos prometem um futuro com centros de noticias atualizadas 24 h entupidos de jornalistas postando no twitter enquanto escrevem blogs e ligam suas webcams para fazer um Live Stream. Um futuro com o qual eu – menino com ADD – estaria feliz!
Contudo, isso não me permite escrever obituários apressados sobre uma mídia (a impressa) que, apesar de diminuir anualmente em tiragem, tem seus consumidores fixos. Quantos de vocês não compram uma revista ou jornal mesmo sabendo que o conteúdo pode ser lido, na maioria das vezes, na integra na internet? Eu faço isso todos os meses com a revista Bravo! E não pararei de fazê-lo, pois o cheiro de papel é fundamental nas minhas leituras.
O correto, my friends, não é anunciar o fim dos jornais, mas, sim, falar – como bem disse Russel - em declínio. O mesmo declínio que afeta a indústria fonográfica e que faz com que os canais de TV procurem novas maneiras de lucrar com seus seriados. Declínio que, sem duvidas, mudara por completo a forma em que os newspapers se sustentaram financeiramente.
Não gosto de fazer futurologia, mas acredito que estou certo ao prever que as vendas de jornais irão cair nos próximos anos, da mesma maneira em que a venda de discos de vinil caiu (entenda-se: Muito). Mas a mídia impressa como meio de comunicação vai sobreviver. Jornais dominicais de igrejas, informativos de bairros e inclusive alguns poucos jornais de maior distribuição continuaram a existir e a utilizar o papel como meio de distribuição.
Assim, este post não visa trazer nenhuma tese mirabolante sobre como “salvar” os jornais, até por que acho que muitos deles têm mais do que sumir, mas sim, tentar elevar a nossa discussão do plano superficial “nostradamico” para um debate sério sobre como a diminuição na indústria jornalística ira afetar o jornalismo em sim – como bem o faz Marta Barcelos em este artigo aqui.
Vemos-nos no próximo post (que, como este, tampouco terá inicio, meio e fim.)
Twitter e o complexo de Márcia.

É… as vezes eu falo muita bobagem. Pulei, muito rápido, acima de um ônibus que, assim como merda em ventilador, não sabia para onde estava andando nem quem estava atingindo. *
Acredito que todos os que estejam lendo este post saibam da “polemica” que alguns twitters trouxeram para a nossa “fechada-e-quase-alienada” comunidade twitesca nos ultimos dias. Caso contrario leiam este - péssimo - post sobre o assunto.
Respiremos todos: 1…2…3… e, agora, calmos, vamos lá.
Às vezes, ao navegar na internet, me sinto rodeado por “Márcias” querendo fazer de tudo uma grande discussão sobre a moralidade de mijar - ou não - nos outros. Sinto que ao invés de tentar gerar conteúdos interessantes e paralelos à mídia “clássica” estamos nos tornando repetidores sem criatividade preocupados em fazer escândalos.
O Script em questão é - como @Rosana disse - genial. Por não entender nada sobre programação e nem me interessa pelo assunto, limito minha opinião sobre o Script ao impacto social que ele trouxe para a nossa comunidade.
Para poder continuar - como diria o telecurso - Vamos rever como o twitter funciona:
Sujeito 1 cria uma conta e começa a escrever - dentro do limite de 140 letras e espaços -, Sujeito 2 encontra o perfil do usuário 1 e decide se quer ou não “dar follow” nele.
No caso, o script em questão, torna o processo de notoriedade do sujeito 1, um processo automatizado. Mas, - eis aqui que repousa o ponto importante - não há, nem no script, nem no processo normal de “dar follow” alguém apontando um calibre 22 às synapses dos usuários que decidiram seguir o sujeito 1. **
Assim como em qualquer relação social, no twitter, também há pros e contras na forma em que os contatos e amizades são feitos. Acredito que: cada usuário/pessoa tem o direito de escolher a maneira que considera correta ou conveniente de fazer contatos ou amizades. Está afirmação corre a favor dos utilizadores e nao utilizadores do Script.
Tendo dito isso, vamos ao depoimento pessoal: Eu já era follower da @rosana antes de ela disser ter usado o script, continuo sendo seu follower, pois, gosto e aprecio os updates dela e os @replys que recebo quando alguns de meus twits lhe interessam. Adicionei a @twittess depois de ter sido adicionado pelo script e confesso que dei follow por que me interessou o seu about na época, que falava sobre ela ser “editora de livros infanto-juvenis”, gênero em que espero, algum dia, poder publicar livros. Já o @interney não me agradou, nem chamou minha atenção, por isso - depois de ele me adicionar através do script - decidi não dar follow nele e, assim, nunca mais ouvi falar em seu nome.
Três pessoas, Três motivos distintos: a primeira adicionada por entretenimento, a segunda por interesse profissional e a terceira descartada por não me interessar. Três motivos que teriam, sem lugar à duvidas, sido os mesmo, caso eles tivessem me adicionado manualmente. Get it?
Resumindo, queridos leitores, vamos parar com todo esse mu-mu-mu que alem de poluir tira valor da nossa comunidade e discussões e vamos nos dedicar a produzir conteúdo que nos façam - como diria Merlin Mann - melhores.
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Nots de rodapé:
* Obrigado Ricardo Macari por me fazer pensar. ()
** Troquem sujeito 1 por: @rosana, @twittess @interney e sujeito 2 por todos os demais twitterers.
Travessia de verão

Tenho que agradecer meu primeiro encontro com Truman Capote à Hollywood. Nunca tinha lido nada dele (ou sobre ele) até assistir “Capote” e, tenho que reconhecer, não devo meu interes no autor à historia do filme, mas sim à interpretação de Philip Seymour Hoffman.
Procurei por ele na Wikipédia, como faço com tudo o que acho interessante, e fui mergulhando nos links de referencias – que são um dos recursos menos usados pelos wikipedistas de plantão – atrás da historia de este autor amaneirado e que me pareceu, desde o primeiro passo da minha pesquisa, ter uma língua muito afiada: Ao final de contas, foi ele quem disse que Jack Kerouac não era um escritor e sim um digitador.
Agasalhado com a leitura de algumas biografias sobre Capote e acompanhado pela leitura de alguns críticos que só tinha coisas boas à disser sobre ele, decidi ler algum de seus trabalhos; mas, ao mesmo tempo em que tive a idéia, sentado na frente da luz fluorescente da tela do computador, me aconteceu aquilo que acontece a muitos quando sentados frente ao monitor: Outra janela pareceu mais importante, outra conversa me chamou mais a atenção e outro recado estava esperando-me para ser lido.
Ficaram, na minha memória, apenas os dados biográficos de Truman. O interesse continuava ali, escondido em algum lugar do meu estomago, e foi há alguns dias atrás, com as palavras de um amigo, que regurgitei minha curiosidade. “Tenho um livro, para te emprestar, do estilo em que você gostar.” Me disse Tim com seu sotaque inglês. Normalmente, não aceito que me emprestem livros – me conheço muito bem e sei que livros que me são emprestados jamais serão devolvidos: tenho na prateleira “The Road” do Cormac Mccarthy emprestado pelo Tim a já quase dois anos e, posso assegurar, que ele só ira sair dali para me acompanhar em alguma mudança.
Mas deixando o lengalenga de lado, (que, por algum motivo, hoje insiste em entrar no papel) o livro que Tim quis me emprestar era: “Travessia de verão” – adivinhem de quem?! – do meu querido companheiro de leituras biográficas: Truman Capote.
O livro foi lançado depois da morte do autor, estava escrito em alguns cadernos dele em seu apartamento em New York e, apesar de não ser muito fã da idéia de publicar os livros que, por algum motivo, o autor não quis publicar enquanto estava vivo, decidi ler o relato. Contudo – que nem filme que trava antes do final – não irei fazer uma resenha o livro por que, ademais de achar resenhas literárias um saco de touro, gostaria que vocês também possam ler a historia e se surpreenderem, como aconteceu comigo.
Quero destacar apenas um trecho dela:
“Então terminou, não havia mais nada que ela quisesse dele, os desejos de verão haviam virado sementes de inverno: os ventos as sopravam para bem longe antes de que outro abril as fizesse florescer.”
Espero que este post que pretendia falar muita coisa – e falou quase nada – os incite a ler o livro, e se o fizerem, deixem um recadinho me contando o que acharam.
Prozac Shutter

(Photo by: Eric Fleming)
Ontem eu e minha irmã estávamos sentados no chão do living olhando as fotos de alguns álbuns velhos, e ela fez um comentário daqueles que me deixam com a bunda inquieta. Com uma foto dela chorando e que dava a impressão de que tinha os olhos tortos disse: “O bom das câmeras digitais e não ter que ficar vendo estas fotos horrorosas”.
Talvez por casualidade, quiçá por causalidade, encontrei no mesmo dia do comentário um folheto que explicava uma função extraordinária das câmeras digitais da Sony. O “Smile Shutter”, que, quando ativado na maquina, detecta que todos os fotografados apareçam sorrindo na foto. Não sei se o comentário que irei fazer é apenas um indicio da minha velhice chegando cedo, mas… Vamos lá.
A foto da minha irmã chorando é feia, não vou negá-lo. Contudo, nos fez rir ao lembramos dos escândalos que ela costumava fazer quando não conseguia o que queria que, diga-se de passagem, não eram os escândalos normais de qualquer criança; uma vez ela até arrancou parte dos cabelos tentando chamar a atenção. A questão é que, ao final de contas ela chorando na foto nos lembrou de momento dos quais, agora, conseguimos rir. O que teria sido dessa foto na era das câmeras digitais? E o que teria sido da foto se o “Smile Shutter” estivesse esperando detectar um sorriso para disparar a foto?
O que me interessa, e preocupa, são os resultados em longo prazo da combinação da geração prozac com a estética comercialmente predefinida e consecutivamente a felicidade fingida sendo plasmada nos ccd’s de câmaras digitais ao redor do mundo. A razão pela qual me preocupo é que acredito que a felicidade é uma meta definida culturalmente cujos parâmetros variam de pessoas a pessoa e, como bem disse o bloggeiro do Observatório da Consciência: “A frustração acontece quando vamos atrás de metas elaboradas por terceiros, e por não termos essa conexão clara com o nosso eu interior, não sabemos discernir se é bom ou ruim para nós.”
Por isso, recomendo a todos tentar fotografar momentos memoráveis, e parar de correr atrás de sorrisos fingidos. Encorajo-os a fotografar o primeiro machucado do seu filho, a primeira caída, o primeiro barraco que fizer em lugar publico. Pois, é também em estes momentos que encontramos lembranças boas, duras, engaçadas, e, quem sabe, felizes.
Leituras interessantes: